Foi
há alguns anos. Quase três eu acredito. E o sonho surgiu pra mim, mas aquele
não era o tempo certo, não era o momento para sonhá-lo. Só que ainda existia
uma chama, ainda existia aquela fagulha que eu sentia que um dia seria capaz de
incendiar tudo. Foi basicamente assim que aconteceu.
Vendo
uma garota compartilhando da sua experiência em um país totalmente diferente do
dela, com um idioma diferente, com uma cultura diferente e buscando um novo
desafio, foi assim que a fagulha incendiou.
O
Fica Pra Depois (um nome que me surgiu na mesma velocidade da corrida de 100m
do Bolt #OlimpíadasRio2016) nasceu
com o intuito de me fazer registrar todos os meus sentimentos com um novo
desafio que eu só consigo ver agora que eu estou enfrentando muitos outros
antes mesmo desse. Mas não só sentimentos.
O
Fica Pra Depois seria um diário que nunca deu certo.
Mas
eu não podia contar que as palavras me faltariam para narrar momentos tão
decisivos.
Foram
momentos frustrantes e que ainda estão aqui, em algum lugar.
Eu posso senti-los
e lembrar.
Não
tem como não pensar que no final de 2014, quando eu tomei a decisão de não
começar a faculdade, eu estava so excited
com uma nova etapa que nem tinha começado. Ainda era a fagulha queimando em
mim. Eu estava tão decidida e não importava o quão louco pudesse parecer. Era
um sonho, e ele tinha que ser realizado.
Eu
nunca tive um sonho tão grande quanto esse.
E
o cara de lá de cima não nos dá sonhos que não somos capazes de realizar.
2015
era o ano do recomeço, eu tinha acabado de sair de um emprego não muito legal,
mas que era o que eu precisava para aquele momento (anterior ao de hoje).
Os
meses foram passando, um trabalho de meio período surgiu na metade de 2015, me
dando muito mais do que uma possibilidade de juntar uma grana e socar no banco.
Deixar lá rendendo os poucos centavos, mas rendendo e acumulando a cada mês.
Com
esse trabalho temporário eu tive que começar a ir atrás das etapas que ainda
tinham que ser cumpridas aqui (Brasil), sem pensar ou tentando não pensar
nas que viriam depois. Etapas que tinham que ir além da tela de 14.0 do meu notebook.
Veio
a procura por uma agência. A certeza (até então) de que eu tinha encontrado
tudo o que eu precisava encontrar em uma. Foram duas e me senti dividida e
espera aí... também me senti pressionada – por minha parte mesmo.
Como
escolher uma agência quando uma parece tão boa quanto a outra? WTF
É,
mas não para por aí.
Trocas
de email tiveram que ser decisivas antes de conhecê-las.
E
foi mesmo. Pelo menos por um tempo.
Ainda
não era só isso. Tem mais.
Eu
tinha que fazer alguma coisa quanto as minhas experiences. Mas dava pra segurar mais um pouco, porque o até
então “mais essencial” eu não tinha nem começado.
O
que tinha me feito esquecer, deixar de lado, “put off” (ta mais pra um CORNER KICK segundo o meu amigo Google
Translate) quando o sonho
surgiu pra mim a ideia surgiu pela primeira vez era exatamente o que tinha
que ser feito, quase no nível de urgência, no próximo tópico.
Era
pra ser fácil, poxa!
Não.
E não está sendo.
A
etapa ainda está em andamento, depois de quase 8 meses? Mas nem por isso
eu desisti. Eu ainda tenho uns 2 pra saber What’s next? Isso veio pra mim
muitas vezes quando eu comecei a perceber que eu estava perdendo o tempo, que
fazer as coisas, das um check nos
tópicos sem pressa, com calma, me fazia ficar estagnada, pensando em bobagens. E quando eu digo bobagens eu quero dizer que parecia que nada dava certo e que
nada daria certo. Mas Deus é mais forte do que isso tudo #QuaseUmMantra
Eu
tinha um contrato com a empresa de 2015 que iria até maio de 2016. A ideia era
já estar com aquele documento lindo em mãos antes de dar adeus para um trabalho
que me cansava fisicamente, mas que me motivava a fazer tudo da melhor forma
que eu pudesse fazer, mesmo tendo pessoas que pareciam se sentir motivadas
quando desmotivavam as outras. Eu poderia ter ficado lá, mas o cansaço e a
carga horária me fizeram temer um pouco, ou bastante. Eu ainda precisava
atualizar as minhas experiences (próximo
tópico que teve que ser adiantado por causa do lindo do documento).
E
eu disse adeus a um emprego que me fazia levantar todos os dias (quando não
tinha curso que era intercalado com o “trabalho prático”)às 6:00 da manhã,
saindo de casa às 6:30, ou estourando às 6:45. Eu chegava em casa depois das
15:00, mas quer saber? Feliz. Feliz sim, porque eu tinha o meu dinheiro todo
final do mês e a certeza de que coisas novas viriam após ele.
Eu
estava dizendo adeus a pessoas malucas, mas que fizeram parte da minha jornada
por lá, que me ensinaram muito, que me irritaram muito.
É,
eu tinha tomado a minha decisão.
Desanimar?
Não.
Era
pra ser fácil, poxa!
Não.
Não era. E não está sendo.
Adiantando
a etapa que duraria por um tempo indeterminado eu fui até uma escola de nível
fundamental (a mesma escola que eu passei bons e maus momentos <3), mas isso
depois de ter ido em instituições que tinham seus trabalhos dedicados a
crianças.
Depois
de muitos não a idéia de passar na
escola que eu estudei na minha infância veio em um sábado nublado (eu acho
o.O’). Na verdade veio nas última semanas – se não me engano – de trabalho e da
certeza que eu não podia continuar parada (tanto dar os cheks ~cara eu to falando muito isso~ quanto pra fazer algo de
útil, nem que fosses somente aos sábados.
É
um trabalho voluntário.
Uma
ideia que eu sempre tive e que me veio à cabeça de uma forma decisiva e
construtiva quando eu vi que precisava atualizar as experiences que disse.
Essa
oportunidade ta me trazendo novos aprendizados. São poucas horas e que eu
poderia me dedicar mais, mas eu sei que por enquanto é o que eu posso.
São
crianças que às vezes deixam o
futebol de lado e vem brincar comigo: colorir um desenho, fazer umas
dobraduras, se sujar usando as tintas que eu tive que guardar rapidamente ~é,
não foi uma boa ideia, mas ainda saberei melhor isso~. São crianças que vem me
abraçar, que falam que eu sou a tia mais
legal (eu culpo a minha voz melodiosa ;D o que me faz duvidar um pouco
disso aí).
De
verdade, eu quero muito que isso continue. Não só a parte da tia mais legal,
mas também poder estar com elas, mesmo que tenha sábados que eu fique lá sozinha,
fazendo os meus próprios desenhos.
Quer
saber? Eu estou ganhando mais do que
horas, eu tô ganhando momentos com aqueles pequenos que às vezes, o que
mais precisam é de atenção, é de um “como
o seu desenho tá lindo”, de um abraço, de um sorriso. Às vezes eu fico
zangada (comigo mesma) por não ter conseguido introduzir uma atividade pra
eles, por não ter conseguido tirar umas fotos legais... Mas tem um outro sábado
aí, e um outro depois desse, e depois desse... Acho que é isso.
Ficar
relaxada esperando concluir a etapa exaustiva do documento tá sendo uma
experiência árdua, difícil.
Não
tá dando.
Mas
vai dá, porque eu sou mais forte do que isso, Deus está comigo.
Muitas
barreiras foram ultrapassadas. O medo que me fez esquecer o que hoje é um sonho
foi ultrapassado; me dar a oportunidade de sonhá-lo mais um vez; ir atrás do
que eu acredito. Muitas coisas estão sendo colocadas à prova, é isso o que o
Pai faz, só que eu não tenho entendido ou aceitado muito bem. Quando eu falo em
entregar nas mãos dele é o que eu realmente quero, porque ele sabe o que é
melhor pra mim. Mas não tem sido fácil. Quem disse que ia ser?
Outras
ainda serão ultrapassadas, com o senhor sendo o meu guiador, como sempre foi e
sempre será.
Your sovereign hand, will
be my guide
Where feet may fail and fear surrounds me
(Hillsong United – Oceans)









